terça-feira, 17 de junho de 2014

Amigos



Amigos, cento e dez, ou talvez mais
Eu já contei. Vaidades que sentia:
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos, cento e dez, tão serviçais
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que já farto de os ver me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente.
Ceguei. Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

 - Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se está cego não nos pode ver!...
 - Que cento e nove impávidos marotos.

Camilo Castelo Branco

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